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17 dezembro 2018
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Nova realidade, novas oportunidades

Alteração de contratações, crise, economia instável… profissionais devem e podem buscar alternativas para se destacar no mercado de trabalho
Fernando Nunes Ferreira, CEO/Founder Partner da Gluck Consultoria de Recursos Humanos |  Foto: Gluck Consultoria

Fernando Nunes Ferreira, CEO/Founder Partner da Gluck Consultoria de Recursos Humanos |
Foto: Gluck Consultoria

Os últimos anos foram marcados por diversas instabilidades no Brasil, incluindo no mercado de trabalho. Surgiram novas necessidades profissionais para atender todas as demandas em meio a uma economia em crise. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego caiu no trimestre encerrado em setembro, fechando em 12,4%, um recuo de 0,6% em relação ao fechado em junho. Mesmo com dados otimistas (principalmente pela chegada dos empregos temporários de final de ano), o ambiente ainda é desafiador para os que buscam recolocação.

Nessa demanda, recrutadores buscam os que aliam conhecimento e sempre se preocupam em estarem atualizados, capazes de realizar multifunções e abraçar a camisa da empresa. Para falar mais sobre isso, a Cargo News entrevistou Fernando Nunes Ferreira, CEO/Founder Partner da Gluck Consultoria de Recursos Humanos, que tem foco de atuação em comércio exterior e logística. O entrevistado também deu dicas de como estar preparado para os processos de contratação.

CN: Vivemos novos tempos na economia brasileira e mundial em 2017. Dentro deste cenário o que mudou na contratação de executivos no setor de comércio exterior e de logística?

Como é conhecimento de todos o setor de comércio exterior e logística tem uma dependência muito forte da economia do país, pois serve como fonte de alimentação para todas as cadeias produtivas, distribuição e exportação de produtos para abastecer a demanda de outros países. Com a crise que vem desde 2016, observamos uma alteração nas contratações de executivos no setor de comércio exterior e logística, onde muitos profissionais que tinham empregabilidade pelo relacionamento e conhecimento técnico da área perderam espaço para profissionais multifuncionais com maior qualificação. Um ponto interessante avaliado foram os profissionais do segmento que antes da crise, quando tinham conhecimento do mercado e necessidade dos clientes, abriram seus próprios escritórios. Tínhamos uma quantidade muito grande de pequenos escritórios com custo baixo oferecendo trabalhos com custos menores que as grandes e médias empresas. Com a crise, muitos não conseguiram sustentar a competitividade e fecharam, trazendo muitos executivos para o mercado de trabalho novamente, mas muitos não conseguiram se recolocar, pois o mercado é muito fechado e as empresas ficaram com receio de alguma mudança na economia, e estes mesmos executivos voltarem a empreender levando parte dos clientes da empresa.
Com relação às empresas, observamos que teve uma alteração no perfil dos executivos, muitas delas estão buscando profissionais com idade acima de 50 anos para somar experiência aos novos profissionais, e tentando passar a ideia de multitarefas, coisa que estava sendo muito voltada para empresas departamentais, onde os profissionais somente fazem uma parte do processo, sem a necessidade de conhecer do processo completo. Esses profissionais mais experientes vêm de uma geração que precisava conhecer todo o processo, pois não tinham a tecnologia e faziam muitos processos manuais. Em resumo, as empresas buscam executivos que conheçam muito bem o processo, mas precisam ter diferenciais como idiomas e experiência em toda cadeia logística.

CN: Como consultor de recrutamento e seleção, quais dificuldades encontradas hoje no processo de seleção de executivos de média e alta gerência?

A principal dificuldade encontrada como profissional de recrutamento e seleção para executivos de média e alta gerência sem dúvida é a qualificação e entendimento da empresa como um todo, e não somente departamental. Muitos dos profissionais que hoje atuam em nível gerencial estão na posição por tempo de empresa ou conhecimento especifico de uma atividade. Com a demanda de profissionais cada vez mais multifuncionais, executivos que não se atualizaram com estudo, idiomas, cursos de aperfeiçoamento, quando são desligados e vão para o mercado de trabalho, se deparam com dificuldade de recolocação. Tal demora em achar um novo desafio acaba formando pessoas desacreditadas e magoadas com o segmento, pois entendem que estão prontos para as posições, mas o mercado de trabalho está cada dia mais exigente, e acabam demonstrando a insatisfação para os recrutadores que conseguem identificar no perfil comportamental.
Outro ponto que vale destacar como dificuldade de recrutadores no momento de crise econômica, é o medo dos profissionais de trocarem uma situação confortável de uma empresa que já conhecem, e sabem todos os caminhos para chegar aos resultados, para assumir riscos e mudar de empresa. Estamos nos deparando com muitos profissionais que declinam nas fases finais dos processos, pois têm interesse de mudança, mas no momento de falar sim para uma proposta ficam inseguros e acabam entendendo que não é o melhor momento para mudar de empresa. Atualmente, mais de 50% das posições na Gluck Recursos Humanos são fechadas com profissionais que estão trabalhando, pois se demonstram mais preparados e qualificados.

CN: Na sua opinião, como os profissionais devem se qualificar para disputar novos cargos em 2018?

Entendo que os profissionais precisam buscar treinamentos de processos que ainda não conhecem, solicitar nas empresas atuais para conhecer de outros departamentos, aprimorar idiomas, ler bastante e ficar atualizados com as novidades para todas as áreas, estar sempre disponível para novos aprendizados dentro das empresas, não entender uma nova responsabilidade como acúmulo de trabalho e sim como uma grande oportunidade de conhecer algo novo.
Um ponto muito importante é não ser influenciado com ideias negativas e sim ser um influenciador de soluções positivas. As empresas querem profissionais que tenham paixão pela atividade e local de trabalho, pessoas que tenham prazer em ter o sobrenome da empresa. Importante os profissionais que estão sem emprego atualmente, refletirem como estão passando as informações para os recrutadores referente às empresas que passaram, pois o que falam das empresas do passado podem falar das empresas do futuro, então tentar extrair tudo que teve de bom pois, uma relação de trabalho sempre tem algo positivo.

CN: O que os profissionais devem esperar do mercado de trabalho em 2018?

Estamos percebendo um mercado de trabalho melhorando a cada dia, pessoas qualificadas e com o comportamental focado para entrega de resultados sempre têm empregabilidade. Estamos vendo muitas empresas preparando e formando equipes de vencedores para acompanhar a aceleração econômica do país. Nas conversas com diversos executivos e empresários, existe uma grande credibilidade na retomada da economia, e empresas que estiverem preparadas estarão na frente para conseguir bons negócios. Os investimentos estrangeiros voltaram ao Brasil, mas a busca por profissionais multifuncionais e qualificados será um grande desafio.

CN: Você percebe alguma área ou conhecimento específico que vem despontando no mercado de trabalho?

Entendo que é muito importante que os profissionais de comércio exterior e logística conheçam dos novos processos tecnológicos do segmento, estejam atualizados com as legislações. Importante conhecer os processos inteiros de importação, exportação, aéreo, marítimo e rodoviário, bem como os diferenciais operacionais de cada modal. Conhecimento com sistemas é o grande diferencial, profissionais que têm facilidade em lidar com sistemas sempre têm pontos diferenciados dos outros. Verificamos que muitas indústrias estão passando por processos de outsourcing das áreas logísticas, os prestadores de serviço cada dia ganham mais espaço, os profissionais que conseguem navegar bem atuando com prestadores de serviço, podem ser diferenciais para o mercado. O segmento de comércio exterior, a área de pricing (aéreo, marítimo, rodoviário e outros serviços), vem tomando um corpo diferenciado nas empresas, pois o grande diferencial do mercado atualmente é saber comprar bem para ter valores competitivos.
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