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15 novembro 2018
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Uso do blockchain para rastrear suprimentos pode ser solução interessante para o mercado brasileiro

Por Carlos Abreu

Um dos maiores desafios para as empresas brasileiras na atualidade tem relação com a questão logística. Os entraves são inúmeros: a qualidade das estradas, as dimensões do país e, logo, as distâncias a serem percorridas, a remuneração – e os custos – para os caminhoneiros (uma vez que o transporte por caminhões é um dos mais utilizados no país), o acompanhamento do trajeto feito por matérias-primas e produtos prontos, a insegurança nas estradas, entre outros aspectos.

Recentemente, com a greve dos caminhoneiros, foi perceptível que há uma falta de planejamento da nossa classe política. A produção de diversas empresas foi paralisada, acarretando prejuízos extremos. Mas, acredito que isso pode ser evitado.

A tecnologia pode ser uma forte aliada neste processo. E, neste artigo, sugiro voltarmos nossas atenções ao Blockchain. Você sabe o que é isso? O Blockchain é uma rede descentralizada que trafega transações/informações com um padrão de segurança elevado (criptografia).

A inserção ou modificação de um registro dentro da rede Blockchain deve ser aprovada pela maioria dos colaboradores da rede, ou seja, essa democracia garante que a informação se mantenha íntegra. Conclusão: como a informação é trafegada entre colaboradores conhecidos e em equipamentos diferentes, o seu modelo, na verdade, é muito mais seguro no que se refere a invasões, roubos de dados e indisponibilidade dos serviços.

Atualmente, quando se fala em Blockchain logo acontece uma menção às Bitcoins, que são moedas virtuais – ou crypto-moedas – que rodam sobre redes Blockchain proprietárias. As Bitcoins surgiram com o intuito de substituir o modelo financeiro atual, com moedas físicas e instituições financeiras que controlam todas as transações mundiais.

Para que haja a capacidade de atender a demanda de moedas virtuais. Existem centros tecnológicos espalhados pelo mundo, que processam as transações sobre as crypto-moedas. E, por isso, eles ganham uma comissão a cada transação efetuada.

Você deve estar se perguntando por qual motivo estou explicando tudo isso, certo? Em uma linha de produção, a cadeia de suprimentos é um dos fatores principais para que não haja atrasos e prejuízos para a empresa. A agilidade e a confiança na entrega da informação são essenciais para que as empresas possam se planejar. Aqui entra o Blockchain. Por que não utilizar essa tecnologia para criar uma rede em Blockchain colaborativa entre empresas, que possa atender as duas necessidades, de confiança de entrega e na agilidade da informação?

Como essa é uma rede distribuída, não existe o risco de perder a informação e a tendência é que a mesma seja entregue o mais rápido possível para todos os participantes, no caso, as empresas que estão contribuindo para o abastecimento das informações.

No atual cenário econômico brasileiro, há uma desvalorização da nossa moeda, o real. Isso encarece os custos de produção, principalmente no caso de insumos importados. Por que, então, não atrelar parte dos custos de produção às Bitcoins? O mercado asiático, por exemplo, tem aumentado cada vez mais seu uso. Visto que a China é a principal parceira comercial do Brasil, uma boa alternativa para as empresas nacionais é fazer uma reserva em Bitcoins, já que a moeda virtual tem atingido uma boa taxa de crescimento, muito maior que o dólar. Vale lembrar que o Fórum Econômico Mundial aponta que até 2027 10% do PIB global será armazenado em Blockchain.

Claro, a tarefa não é simples. Mas, também não é nenhum bicho de sete cabeças. O uso de Bitcoins está em expansão nos mercados externos e, para que isso aconteça também no mercado brasileiro – que ainda engatinha neste quesito – precisaríamos vencer alguns desafios, como:

• Cultura organizacional: quando se fala em rede de informações descentralizada, muitas empresas (para não dizer todas) sentem desconfiança. No entanto, esse é um modelo que é realidade para tratar transações financeiras, que está em plena expansão nos mercados externos, isso já responde que é um modelo Seguro;
• Definir normas/padrões: quando pensamos em envolver diversas empresas em modo de colaboração, é necessário que haja algum órgão ou um conselho que defina padrões e normas sobre como a troca de informações irá ocorrer;
• Definir as melhores opções de rede Blockchain: existem redes de Blockchain públicas e redes que podem ser construídas para funcionar de modo privado. No modo público, a grande vantagem é que não é necessário se preocupar com qualquer custo com infraestrutura. Porém, é necessário arcar com os custos de mineração toda vez que a informação for inserida/modificada. Já no modo privado, é necessária uma preparação de infraestrutura entre as empresas colaboradoras, o que aumenta o tempo de execução do projeto. Porém, os custos de mineração não irão existir e isso pode ser uma vantagem importante para o futuro.

E então, que tal encarar o futuro e usar a TI como uma verdadeira aliada competitiva para o seu negócio?




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