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Dez de novembro. Dois mil e nove. Duas datas
especiais. A primeira marca o início do evento que está consolidado como o maior aglomerado de exportadores,
importadores e prestadores de serviços de logística e comércio exterior. do interior paulista A segunda
celebra o aniversário de 10 anos deste mesmo evento. Nos dias 10 e 11 de novembro, mais uma vez Campinas foi
o centro de debates e reflexões sobre o futuro do comércio internacional durante o SCALA - Simpósio e Feira.
Um dos temas discutidos foi a infraestrutura do Aeroporto Internacional de Viracopos, hub de cargas
que coloca a cidade como uma das principais para o desenvolvimento do país. A retomada na movimentação de
cargas deste aeroporto prova que a crise é passado e que os investimentos de infraestrutura devem estar
focados em um futuro promissor. Esta foi a pauta de diversos palestrantes.
No
primeiro dia, a mesa de abertura contou com a participação de empresários e autoridades, entre eles o
prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, o secretário estadual de Transportes de São Paulo, Mauro
Arce, o superintendente de Viracopos, Cláudio Salviano, o secretário municipal de Comércio, Indústria,
Serviços, Turismo e Agronegócios de Campinas, Sinval Dorigon, o presidente do Sindicato dos Despachantes
Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), Valdir Santos, e Luiz Antonio Guimarães, diretor Executivo da Nanquim
Comunicação & Eventos, idealizadora e organizadora do SCALA.
O prefeito de
Campinas ressaltou a importância do Aeroporto Internacional de Viracopos. “Viracopos deixou de pertencer a
Campinas para ser uma estrutura de interesse do estado brasileiro”. Hélio garantiu que uma das principais
tarefas de seu governo é a expansão da segunda pista do aeroporto. Ele afirmou também que sua viagem para
China, em 16 de novembro, teve a intenção de aumentar a carga entre este país e o Brasil, além do número de
passageiros. “Precisamos cada vez mais de processos que façam alavancar a geração de empregos e a renda do
país”.
Cláudio Salviano disse que Viracopos é um caso de sucesso. “Ao mesmo tempo
em que o número de cargas movimentadas pelo aeroporto diminuiu, houve uma recuperação no número de
passageiros. Iremos fechar o ano de 2009 com um crescimento de 200% neste setor”, afirmou. O superintendente
ressaltou ainda o total de cargas movimentadas até outubro. “De janeiro a outubro as cargas exportadas
ultrapassaram 50 mil toneladas. Este é um ciclo de crescimento significativo da economia do país. Faremos de
Viracopos a melhor ferramenta logística do modal aéreo do Brasil”, encerrou.
Luiz
Antonio Guimarães falou sobre o empreendedorismo da Nanquim Comunicação & Eventos nestes 10 anos de
SCALA e agradeceu o apoio das duas empresas patrocinadoras desde a primeira edição. “A INFRAERO e a DHL
Global Forwarding acreditaram no projeto e na importância da região”, disse. A DHL Global Forwarding e a
INFRAERO receberam uma homenagem da agência organizadora. Para a DHL, no
CALA
estão os principais clientes da região metropolitana de Campinas e o evento reúne entidades locais da
logística e entidades políticas que lutam pelo fortalecimento e desenvolvimento da logística setorial. Para
a INFRAERO, o SCALA fomenta os negócios de logística de carga e estreita o relacionamento com clientes e
parceiros. Por este motivo, a empresa também acreditou na potência do evento e o apóia e patrocina desde a
primeira edição.
Os outros patrocinadores do SCALA são Banco do Brasil, DB
Schenker, TAM e CODESP. Para o Banco do Brasil, o evento oferece grande interesse já que o Banco é líder no
mercado brasileiro de câmbio de exportação e importação. A DB Schenker patrocina o evento há seis anos
devido a sua importância significativa para os negócios de Comércio Exterior e logística no interior de São
Paulo.
Já a TAM Cargo acredita que o SCALA oferece boas oportunidades de negócios
e de levar ao público informações sobre seus serviços e diferenciais. E a CODESP também não deixa de
patrocinar porque a Região Metropolitana de Campinas é responsável por grande parte da movimentação no Porto
de Santos devido seu Pólo Industrial.
Infraestrutura rodoviária
O
secretário de Transportes de São Paulo, Mauro Arce, foi o responsável pela primeira palestra do simpósio do
SCALA. Ele falou sobre o desenvolvimento de Viracopos. “O aeroporto cresceu, mas nunca tanto quanto de 2007
para cá, quando o crescimento foi quatro vezes maior do que em 2006”, disse. “O Trem de Alta Velocidade tem
70% de sua demanda entre São José dos Campos, São Paulo e Campinas, o que mostra a importância da ampliação
de Viracopos”.
O tema da palestra foi a infraestrutura de transporte no estado de
São Paulo. Arce declarou que 50% de toda carga que circula em São Paulo passa por Campinas, pela Região
Metropolitana de São Paulo, pelo Vale do Paraíba e pela Baixada Santista. De toda a movimentação, 93%
utiliza o modal rodoviário, enquanto que o ferroviário fica com uma fatia de 5,2% e o aeroviário com
0,3%. O objetivo, segundo o secretário, é de, até 2020, reduzir o transporte nas rodovias para cerca de
70% e aumentar o uso da ferrovia e da dutovia. “Seria inconcebível transportar mais de cinco bilhões de
litros de etanol por caminhões”, afirmou.
Outro assunto abordado foram as
plataformas logísticas, que nada mais são do que centros de logística para trocas de cargas. As instalações
de uma plataforma logística na região de São Sebastião e outra na região de Campinas, Ribeirão Preto e Bauru
estão em estudo. “Através dessas plataformas é possível transferir carga por diferentes modais”,
declarou.
Arce justificou os investimentos nas estradas de São Paulo. “De acordo
com uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, o Brasil tem 16 estradas ótimas e 15 delas estão
em São Paulo. Os custos adicionais que se impõem quando as estradas são ruins são de 25%”, afirmou. Em
relação às ferrovias, o secretário disse que apesar delas serem concessões federais, o estado tem
participação no seu desenvolvimento. “Em Santos, 85% das cargas circulam em caminhões. Temos que dobrar a
participação das ferrovias de 15 para 30%”.
Grandes programas
Um
panorama sobre as transformações em Viracopos foi o tema da palestra do consultor Carlos Alberto Alcântara.
Segundo ele, o aeroporto de Campinas, dentro de um padrão de referência, equivale aos aeroportos mais
eficientes do mundo. Algumas transformações foram originadas pela implantação dos programas Linha Azul e VCP
Express. “As empresas tiveram redução de custo de 30% com a eliminação da perda de tempo desnecessária”,
disse. Ele não deixou de citar o programa INFRAERO de Eficiência Logística, que, segundo ele,
disponibilizou para o mercado uma ferramenta capaz de identificar em quais etapas dos processos do aeroporto
estão os gargalos. O programa, que começou há seis anos em Viracopos, foi lançado ano passado em Guarulhos e
neste ano em Manaus, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Viracopos no futuro
Para encerrar o simpósio do dia 10, estiveram reunidos o superintendente de Viracopos,
Claudio Salviano, o secretário municipal de Comércio, Indústria, Serviços, Turismo e Agronegócios de
Campinas, Sinval Dorigon, e o presidente do Sindasp, Valdir Santos, sob a mediação de Nelson Fernandes
Júnior, General Manager Geodis da IBM. Salviano, que há 19 anos é o superintendente de Viracopos,
disse que esse é o momento para esclarecer dúvidas sobre a ampliação do aeroporto, um projeto que envolve
grandes valores, grandes obras e grandes interesses. Ele lembrou que cerca de 8% da Balança Comercial
brasileira é processada em Viracopos. Já na exportação, a fatia é de 1,81%.
Em
relação ao futuro de Viracopos, o superintendente falou sobre a reforma na pista de táxi, que será alargada
para funcionar como pista de pouso enquanto a pista de pouso oficial é reformada. Ele falou também sobre a
reforma no terminal de passageiros e do estacionamento. “Duplicaremos a área do segmento de importação e
exportação porque até o final de 2010 temos que estar com fôlego para o armazenamento de cargas”, declarou.
Salviano disse que, até 2025, a capacidade para cargas será triplicada.
Sinval
Dorigon afirmou que a importância de Viracopos para o país é uma realidade política. “Técnicos do governo
municipal irão entregar um estudo vocacional da área aeroportuária e sua legislação para que se tenha uma
sinergia”, disse. “Não queremos que Viracopos se transforme no que hoje é Guarulhos”,
completou.
Feira de relacionamentos
A feira de exposição do 10° SCALA
reuniu mais de 50 empresas do segmento de Comércio Exterior e atraiu a atenção de empresários, clientes e
possíveis parceiros, que visitaram os stands e tiveram a oportunidade de conhecer os serviços das empresas e
as novidades do mercado.
Uma das empresas presentes foi a Rodovisa, que participou
do evento pela segunda vez. O objetivo da empresa, além de fixar sua marca, foi divulgar a divisão fármaco.
Segundo Alnir Turola, responsável pela área comercial, essa divisão envolve toda a logística especializada,
o que reúne as licenças da Anvisa, um farmacêutico técnico e uma frota adequada de veículos com controle de
temperatura.
A empresa atua em Viracopos, Guarulhos, no Porto de Santos, em
Sorocaba e Campinas, onde fica a matriz. Segundo Angelo Valenzuela, diretor de Logística, a divisão fármaco
está em crescimento. A empresa se estruturou neste segmento em 2006 e hoje atende grandes laboratórios, como
EMS e Galena. “Em 2008 o movimento foi muito grande e chegou a 100%. Com a crise, caiu um pouco. Este ano o
crescimento será discreto, em torno de 7% e, para o ano que vem, esperamos um crescimento de 20%”,
disse.
A Katoen Natie foi outra empresa que participou do SCALA pela segunda vez.
Na feira, a operadora logística apresentou a empresa e o Centro de Distribuição multimodal em Paulínia, além
do processo final de implementação do REDEX. Segundo o gerente Comercial Michel Gelders, o CD é também um
terminal de contêineres, ocupado por empresas como Hamburg Süd e Log-in.
A escolha
por Paulínia, onde a empresa está instalada desde 2001, se deu pela localização da cidade. “O terminal está
na frente do cruzamento de duas malhas ferroviárias e Paulínia foi indicada como o melhor centro de negócios
em São Paulo, devido ao fácil acesso às rodovias e ferrovias. As empresas se instalam onde está a melhor
logística”, disse Gelders.
A Ceva Logistics também marcou presença, mais uma vez,
e mostrou a consolidação das empresas TNT Logistics e EGL. “Mais do que nunca, este é o momento de dizermos
para o mercado que a empresa está totalmente integrada”, disse Milton Pimenta, diretor de Business
Development.
A empresa, indicada este ano como melhor agente de carga e
despachante aduaneiro no Troféu Fênix e melhor cadeia logística no Prêmio INFRAERO de Eficiência Logística
do Aeroporto de Viracopos, considera importante a indicação. “Ela mostra a forte presença da CEVA na região
e aumenta nossa visibilidade”, disse Pimenta.
A S. Magalhães esteve no SCALA pela
primeira vez. Para seu diretor, Luiz Henrique Magalhães Ozores, a feira por si só já mostra que a crise
passou. “Já conhecíamos o potencial da feira e agora, como expositores, não poderia ser melhor. Estamos
muito contentes e felizes com o resultado e com certeza colheremos bons frutos”, disse.
Jornada
de Comércio Exterior
O segundo e último dia do SCALA começou cedo, com a inédita
Jornada do Comércio Exterior, promovida pelo Banco do Brasil em parceria com o Sebrae (Serviço de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas) e ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Com
o objetivo de incentivar o ingresso das micro e pequenas empresas no mercado internacional, a Jornada trouxe
ferramentas que podem auxiliar o sucesso de uma empreitada como essa.
A analista
de Inteligência de Mercado do Sebrae, Luciana Furtado, fez um balanço das exportações brasileiras, que
correspondem a somente 1,27% das exportações mundiais. Luciana declarou que, apesar de ainda não ser grande
quando comparada às exportações de outros países, a exportação brasileira teve um crescimento significativo.
Em 2004 elas correspondiam a 1,07%.
O objetivo do Sebrae é aumentar a
internacionalização das micro e pequenas empresas. Hoje, 94% das exportações brasileiras são das grandes
empresas. Segundo Luciana, as barreiras com as quais as menores empresas se deparam são referentes à
dificuldade de encontrar parceiros, canais de comunicação e problemas de burocracia. Além da dificuldade em
encontrar um profissional qualificado que cuide exclusivamente das exportações. “É fundamental encontrar um
parceiro que faça toda a interface”, disse Luciana.
O coordenador de Imagem e
Acesso ao Mercado da ApexBrasil, Gilberto Lima Junior, ampliou a visão sobre o conceito de
internacionalização e apresentou alguns serviços oferecidos. “Somos uma agência que trabalha com mais de 780
ações por ano em cerca de 120 países. Entre essas ações estão as feiras de promoção, projetos setoriais
integrados e rodadas de negócios”, declarou.
Gilberto de Mello, gerente Geral de
Apoio ao Comércio Exterior do Banco do Brasil em Campinas, falou sobre as ferramentas oferecidas pelo Banco
do Brasil às empresas que querem exportar. Entre elas estão os financiamentos oferecidos à exportação, como
o Proger e o ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), e à importação, como o Import Credit. Outra
ferramenta é a assinatura digital em contratos de câmbio. E, com o dossiê eletrônico, os documentos
comprobatórios são armazenados no site do Banco do Brasil e ficam à disposição dos empresários a qualquer
momento.
Logística para milhões
À tarde, o simpósio do SCALA com
palestras do consultor José Geraldo Vantine, de José Roberto Fornazza, ex-diretor de Supply Chain da BIC, e
de Antonio Erivaldo Sales, superintendente de Logística de Carga da INFRAERO. O tema abordado por Vantine
foi “A logística como diferencial competitivo no comércio internacional”. Ele destacou a importância da
reforma no Porto de São Sebastião, cuja licitação será em 2010. José Roberto Fornazza, engenheiro com mais
de 30 anos de atuação na área de Supply Chain em empresas de bens de consumo, falou sobre a logística da
BIC, multinacional de origem francesa onde trabalhou durante 10 anos. Com uma pequena aula de marketing,
Fornazza declarou que o faturamento da empresa em 2008 foi de US$ 1,8 bilhão de dólares. “Este não é um
faturamento extraordinário. Mas a BIC é uma empresa cujo uso do produto é individual. Ou seja, ela vende,
por dia, 22 milhões de produtos de papelaria, quatro milhões de isqueiros e 11 milhões de produtos de
barbear. Ou seja, ela atinge, diariamente, 37 milhões de consumidores”.
A operação
na América do Sul é dividida em subsidiárias em 10 países e duas unidades industriais (uma delas em Manaus).
No Brasil, a rede possui quatro Centros de Distribuição: em Manaus (que atende o Norte do Brasil), em
Barueri (que atende as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste), em Resende e em Uberlândia. “Em
setembro de 2009 foram contabilizados quatro mil itens entre matéria-prima e embalagem. É pouco quando
comparado com outras empresas, mas o suficiente para gerar um desafio logístico”, afirmou
Fornazza.
Os CDs de Manaus e Barueri recebem produtos da Europa, França, Grécia,
Alemanha, Eslováquia, Itália, Estados Unidos, México, Argentina e Ásia. E, de Barueri, a empresa exporta
para a Europa e para todos os países da América do Sul, com auxilio do CD de Manaus. A cadeia de suprimentos
da BIC segue as seguintes etapas, com fluxo físico nas duas direções: fornecedor, CD, fábrica, CD, cliente e
consumidor final.
Planejamento
A palestra de Antonio Erivaldo Sales
encerrou o simpósio do 10° SCALA. Ele fez um balanço sobre os investimentos no Aeroporto Internacional de
Viracopos e apresentou sua estrutura com a finalização das obras. “Entre 1998 e 2008 Campinas começou a ter
uma visão de planejamento voltada para a carga”, disse. “Isso nos trouxe uma expressiva na redução no tempo
de atracação”. Há investimentos também na atualização de tecnologia interna, para dar agilidade e segurança
aos processos, como as áreas de transelevadores, câmaras frias e prédio administrativo. Sales também
ressaltou a importância dos programas implantados (Linha Azul e Ranking de Eficiência Logística são alguns
deles). “Com isso, jamais nos livraremos dos três pilares de sustentação do aeroporto: rapidez,
transparência e ausência de surpresas desagradáveis”, afirmou. “O aeroporto é um gigante adormecido e as
ações devem ser imediatas”.
Entre 2010 e 2014 os investimentos continuam.
“Faremos a intervenção na pista auxiliar e a revitalização da principal, para suportar aeronaves maiores”,
disse. “Além da ampliação da cobertura nos terminais de carga e ampliação no terminal de importação na faixa
de 50%”. Em 2008, os investimentos no aeroporto foram de R$ 110 milhões. Em 2009, de R$ 6 milhões e, entre
2010 e 2014, será de R$ 160 milhões.
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