Em um momento em que as expectativas de exportações brasileiras são cada vez maiores, o coordenador de
Imagem e Acesso a Mercados da ApexBrasil, Gilberto Lima Júnior, fala sobre a contribuição da agência para a
entrada de pequenas e médias empresas no mercado internacional
“Para uma empresa se internacionalizar é preciso mais do
que somente exportar”. Dessa maneira, o coordenador de Imagem e Acesso a Mercados da ApexBrasil (Agência
Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Gilberto Lima Júnior, torna evidente a diferença
entre uma empresa exportadora e outra internacionalizada. Isso porque a internacionalização requer um
entendimento bem mais amplo, já que o Brasil tem de 17 a 20 mil empresas exportadoras, mas somente 980 são
efetivamente internacionalizadas. “Internacionalizar é fazer um mercado a partir de outro já existente”,
afirma Lima. Ele fala sobre a atuação da ApexBrasil em sua história de 10 anos e de que maneira as pequenas
e médias empresas podem se tornar competitivas no mercado internacional.
Cargo News: Como surgiu a ideia da criação da ApexBrasil?
Gilberto Lima Júnior: Há 10 anos o Sebrae sentiu a necessidade de apoiar as pequenas
empresas no mercado internacional e criou uma agência especializada nesse tema. E o governo apoiou essa
ideia. A agência operou alguns anos dentro do Sebrae e depois tornou-se autônoma.
CN: Como você analisa a evolução das exportações brasileiras nos 10 anos de
ApexBrasil?
Gilberto: Um país gigante como o Brasil não tem mais de 16 anos de uma
abertura econômica efetiva. Temos muito que aprender para atingirmos uma real competitividade. Mas estamos
em um momento incrível em relação à internacionalização. As exportações nacionais são um sucesso que se
divide em antes e depois de 2002, quando as exportações começaram realmente a se tornar expressivas. Como
professor de Comércio Exterior eu tinha o sonho de ver o Brasil exportar US$ 100 bilhões. E em 2005 realizei
esse sonho. Já em 2008 o Brasil exportou praticamente o dobro.
CN: O que contribuiu para esse sucesso?
Gilberto: O
atual governo teve uma participação incrível na promoção das empresas. O perfil das exportações mudou, pois
passou a ser focado em alto valor agregado e diversificação de mercados e não somente em commodities. Se o
Brasil tivesse concentrado suas exportações somente para os Estados Unidos e Europa, como antes, hoje este
mercado provavelmente estaria em crise. Mas exportamos para a África, Oriente Médio e focamos também no
comércio intraregional. Isso foi muito importante para a maturidade das exportações brasileiras e pôde
determinar nosso diferencial competitivo.
CN: Quais são as
vantagens de negociar com o Brasil?
Gilberto: O Brasil é um país com taxas de juros
controladas. Além disso, ele tem grande estabilidade política e não só pagou suas dívidas com o FMI (Fundo
Monetário Internacional), como emprestou dinheiro a ele. Por isso acreditamos que o Brasil realmente é a
bola da vez.
CN: De que forma a ApexBrasil contribui na
exportação das micro e pequenas empresas?
Gilberto: A ApexBrasil trabalha com mais de
780 ações por ano em cerca de 120 países. Entre essas ações estão rodadas de negócios e feiras de promoção.
Sua contribuição está presente desde a cultura exportadora, já que a empresa tem de se preparar para
competir. A busca pelo mercado internacional é uma condição de sobrevivência, que deve ser obtida no quintal
alheio. Dessa maneira, ela fica mais robusta estrategicamente. A contribuição da ApexBrasil vai até os
mecanismos que permitem que as empresas possam participar de encontros no exterior, feiras e rodadas de
negócios. A agência dá um nível de contribuição que reduz a curva de tempo que essa mesma empresa levaria se
tentasse este mercado sozinha. E reduz custos e riscos. Mas, se a empresa não estiver no nível de ser
promovida, este é um risco para a própria empresa e para o país. A ApexBrasil ajudou a entrada do Habib’s e
da Alpargatas no mercado chinês e da Arezzo no mercado asiático.
CN: O que as empresas precisam para se tornarem internacionalizadas?
Gilberto: Internacionalizar requer um entendimento bem mais amplo. O Brasil tem de 17 a
20 mil empresas exportadoras, mas somente 980 são efetivamente internacionalizadas. Isso porque para uma
empresa conseguir isso ela precisa ter presença no mercado externo com escritórios próprios, comprar alguma
operação que já funcione no mercado internacional, estar registrada em outro país e utilizar os benefícios
oferecidos por ele às suas empresas. Internacionalizar é fazer um mercado a partir de outro mercado.
A
exportação oferece um aprendizado que permite a internacionalização.
CN: Qual é sua função como coordenador de Imagem e Acesso a Mercados?
Gilberto: Eu trabalho o posicionamento da imagem dos produtos brasileiros, que dividimos
em cinco complexos setoriais. São eles: Brasil Casa Design, responsável pelo setor de casa e construção,
como louças, pisos, revestimentos, granitos, móveis e decoração; Moda Brasil, que envolve os setores de
cosméticos, calçados, bolsas, bijuterias, jóias e têxtil; Brasil Tecnológico, responsável pelos setores de
software, nanotecnologia, máquinas de saúde e serviços de engenharia especializada; Talento Brasil, que
envolve o segmento de entretenimento, como filme, música e artes plásticas; e Sabores do Brasil, que envolve
o setor de balas, confeitos, carne e cachaça. Cada setor é trabalhado de uma maneira, de acordo com suas
características e a imagem que se quer criar. São estratégias variadas e ajudo cada setor a se incorporar em
grandes eventos, rodadas de negócios e repercussão de mídia local, com empresários que dão depoimentos das
vantagens de se negociar com o Brasil. Dessa maneira, conquistamos formadores de opinião e aqueles que tomam
decisões.
CN: Quais produtos têm se destacado nas exportações das pequenas
empresas?
Gilberto: As pequenas empresas se destacam pela exportação de uma grande
variedade de produtos. Mas, de qualquer maneira, o Brasil mantém a liderança em alimentos e bebidas.

CN:Quais dificuldades a ApexBrasil encontra
na promoção das pequenas e médias empresas?
Gilberto: O Comércio Exterior requer um pé
no chão muito grande. As empresas precisam se sentir preparadas para exportar. Uma das maiores dificuldades
que encontramos é realmente a falta de experiência. A ApexBrasil tem que prepará-las para a
internacionalização, diminuindo riscos e aumentando ganhos. Para isso, temos centros de negócios em Miami,
Dubai, Havana, Varsóvia, Pequim, Moscou e Luanda.
CN: Qual é a
visão da ApexBrasil para as exportações brasileiras nos próximos 10 anos?
Gilberto:
Acreditamos que a indústria brasileira terá uma economia cada vez mais internacionalizada, com fusões e
aquisições, e em breve será uma das maiores potências. O Comércio Exterior reflete a realidade e essa
realidade certamente será percebida no aumento do volume das exportações.