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15 novembro 2018
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Estudo inédito avalia impacto do Brexit sobre a imagem do Reino Unido no Brasil e na América Latina

• Dois terços dos latino-americanos acreditam que a Grã-Bretanha ficará mais forte depois de deixar a UE
• Incertezas e complexidades em torno das atuais negociações do Mercosul com a UE podem abrir caminho para acordos comerciais simples e lucrativos com o Reino Unido.
• O tratamento dos imigrantes no Reino Unido poderia ter levado à perda de mais de US$ 1.3 bilhões em comércio, já que mais de um quinto dos latino-americanos boicotam produtos britânicos

São Paulo, Novembro de 2018 – A maior parte dos latino-americanos acreditam que a Grã-Bretanha estará mais posicionada na região após a saída da União Europeia, de acordo com um estudo publicado esta semana. Os entrevistados sugerem que o Reino Unido poderia estabelecer acordos bi-laterais simples com países da região e com o Mercosul. Isto abriria um enorme oportunidade comercial, atualmente frustrada pelas complexas negociações com a UE.

Para investigar perspectivas em relação ao Brexit na América Latina e implicações para o comércio bilateral, a Sherlock Communications desenvolveu em parceria com a TolunaInsights o primeiro estudo sobre o assunto. Foram entrevistados mais de 3000 pessoas de diferentes origens nas seis maiores economias da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, que juntos representam US$ 14,7 bilhões no comércio com o Reino Unido, de acordo com dados do governo britânico. A pesquisa aponta para um certo nível de confusão e certa apatia com relação ao Brexit em toda a região, mas os resultados também mostram a confiança dos empresários no potencial comercial do Reino Unido depois que o país deixar a União Europeia.

Mais de 63% dos donos de empresas e tomadores de decisão pesquisados disseram que a Grã-Bretanha ficaria “mais forte” internacionalmente depois de deixar a UE. 12% se mostraram indiferentes e 31% disseram que a decisão da Grã-Bretanha de deixar a UE resultaria em um mundo mais perigoso e instável.

professor Dr. Amâncio Vinhas Nunes

O professor Dr. Amâncio Vinhas Nunes, professor de comércio internacional da Universidade de São Paulo, diz que a burocracia da UE sufocou as negociações comerciais com o Mercosul. Segundo ele, o Reino Unido pode se beneficiar oferecendo uma abordagem mais simples. O atual acordo UE-Mercosul levou mais de 20 anos a ser redigido, tem mais de 1400 páginas e, até hoje, ainda não assinado. Se a Grã-Bretanha puder oferecer um acordo mais simples com o bloco comercial, o professor Nunes diz que há um grande potencial para prosperar. “O acordo com a UE tem muitas regras. Um acordo com o Reino Unido poderia ser mais focado em comércio e investimento”, disse o professor Nunes. “O fato de acreditarem que será mais fácil negociar com o Reino Unido tem tudo a ver com a complexidade desses acordos. De fato, poderia ser mais fácil, pois o escopo do acordo seria reduzido ”.

Três dos principais parceiros comerciais do Brasil – de longe a maior economia da América Latina – são Estados membros da UE e, embora o Reino Unido seja o 14º maior destino das exportações do país e o 15º em importações, o comércio entre as duas nações correspondeu a US$ 6,7 bilhões em 2017. A eliminação de barreiras, através de um acordo comercial claro e compreensível com a Grã-Bretanha, poderia permitir que o Reino Unido subisse rapidamente no ranking de comércio prioritário no Brasil, com tendências similares em outros mercados latino-americanos.

“O bloco do Mercosul foi criticado por sua falta de acordos bilaterais”, acrescentou o professor Nunes. “Países como o México, o Chile e o Canadá têm muitos acordos bilaterais, enquanto o Mercosul não tem acordos comerciais importantes. A grande oportunidade, então, é promover um acordo bilateral com o Reino Unido, se, é claro, o Reino Unido tiver interesse em seguir essa direção. ”

A cultura britânica e a perspicácia comercial do país são admiradas em toda América Latina, mas o estudo da Sherlock Communications também descobriu que nos últimos 12 meses, 22,7% dos consumidores latino-americanos evitaram os produtos britânicos por causa da política de imigração do Reino Unido. Esse número cai ligeiramente para 21,2% entre empresários e gestores. O fato de que um quinto de todos os entrevistados se afastou do Reino Unido por causa do tratamento controverso do país aos imigrantes pode representar uma perda significativa para o comércio do Reino Unido. As seis economias do estudo representam US$14,7 bilhões em comércio com o país europeu.

O negativismo latino-americana em torno do debate sobre imigração deve ser motivo de preocupação para as empresas britânicas, já que representa consumidores com quem a Grã-Bretanha pós-Brexit pretende negociar, disse Patrick O’Neill, sócio-gerente da Sherlock Communications, consultoria especializada no apoio à empresas britânicas e internacionais que comercializam na região. De acordo com O’Neill, há um grande potencial na América Latina para a Grã-Bretanha, mas a concorrência é dura.

“A pesquisa mostra claramente que há um sentimento positivo na América Latina em relação à Grã-Bretanha e ao “Brand Britain” (marca promocional usada internacionalmente pela Grã-Bretanha). No entanto, seria errado se as empresas britânicas dependessem exclusivamente dessa herança. Nações como a China e outros países europeus e norte-americanos estão competindo para crescer em todo o mercado latino-americano. É imperativo que as empresas britânicas comuniquem os reais benefícios de negociar com elas”, explicou O’Neill.

“É extremamente importante que o Reino Unido e as empresas britânicas comuniquem com clareza aos mercados da América Latina, especialmente com a incerteza que o Brexit despertou”, continuou o especialista. “As empresas e o governo britânico precisam tranquilizar as pessoas sobre o futuro e as vantagens do comércio com a Grã-Bretanha pós-Brexit.”

Para ver o estudo na íntegra, visite: https://www.sherlockcomms.com/pt/brexit-pt/

Assessoria de Imprensa

 




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