Search
15 dezembro 2017
  • :
  • :

Caminhos da indústria

O primeiro semestre desse ano foi marcado por diversas reviravoltas políticas. Se no final de 2016 a expectativa era de melhora no novo ano, já no primeiro semestre de 2017 a economia não se mostrou tão favorável, agravada com a notícia de uma crise no governo com a denúncia de corrupção do atual presidente Michel Temer. Para os próximos meses, volta a expectativa de quais serão os passos que serão dados.

A seguir, a Cargo News entrevistou o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, e o diretor da Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Nunes Filho, que falaram sobre o que é esperado e também a respeito das reformas trabalhistas e previdenciárias. Para complementar, dois advogados da Ordem dos Advogados do Brasil da seção de São Paulo (OAB SP) deram suas opiniões sobre a aprovação ou não das medidas.

CNI aprova reformas

Marcelo Azevedo, economista CNI

Marcelo Azevedo, economista da CNI | Foto: Divulgação

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, para os próximos meses, a confederação espera uma recuperação lenta da indústria, mesmo com a situação da crise política. “Os números vão mostrar alguma retomada muito baixa, mas esperamos que seja generalizada. Acreditamos então que vai ter oscilação nos primeiros meses, entre positivos e negativos. Recentemente, os positivos vinham sendo melhores, mas pelos feriados de abril, pode ser que afete um pouco os números. Sobre a questão da crise política, não atrapalha agora. Se começar a afetar, a recuperação será um pouco adiada, mas não com mais fechamentos ou demissões”.

Para os próximos passos, Azevedo ressalta que consumidores e indústria estão com uma situação financeira complicada, ambos estão endividados, e está é uma das razões para uma lenta recuperação, por haver pouco espaço para manobras econômicas. “Assim, ambos não podem pensar em comprar grandes valores. Para os trabalhadores, há a insegurança de emprego, renda futura. Para os industriais, ao contratar, investir e religar máquinas há o risco de manter estoques elevados. Seria então importante uma ajuda no recondicionamento das finanças da empresa, gerando um espaço para o empresário acertar as contas, correr riscos sem temer que inviabilize a empresa. É importante esse caminho, com facilitação de negócio, por exemplo, coisas que podem ser feitas sem ter grande impacto grande fiscal para o governo, também com relação à exportação”, comenta.

Azevedo destaca que nesse momento acertar a sua questão financeira é importante, para que, quando demanda voltar, a indústria esteja pronta para a assumir novamente os espaços que vão surgir. “Quando a economia estava crescendo em 2014, a indústria nacional perdeu espaço, então devem estar preparadas para reassumi-los e manter sua fatia, ou retomar o espaço que foi perdido pelos importados, o que já era um problema naquela época, mas não queremos que isso volte”.

Já na questão das reformas trabalhistas e previdenciárias, o economista diz que a CNI concorda que devem ser aprovadas. “Com relação à previdenciária, será feito um corte de juros sem impacto na inflação, gerando um estímulo na economia. Mais diretamente, ajudando os gastos do governo, voltando a investir nos setores mais fortes. Sobre a reforma trabalhista, nesse momento de retomada é importante pois exige menos custo, e aí se conseguirá, quando a situação ficar mais segura, fazer treinamentos, por exemplo. Caso desaprovadas, a CNI enxerga como um retrocesso, pois elas podem trazer uma evolução importante, pode trazer luz, segurança jurídica. De uma forma ou de outra, as contas vão estourar, a população está envelhecendo, está difícil de se manter, a conta tem que ser paga, a participação do governo vai ser ainda menor”, finaliza Azevedo.

Ciesp a favor

José Nunes Filho, diretor CIESP Campinas

José Nunes Filho, diretor CIESP Campinas | Foto: Divulgação

Apontadas como uma necessidade pela CNI, as reformas, tanto trabalhistas quando previdenciárias, também são bem vistas pela Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Além disso, o diretor da unidade, José Nunes Filho, disse que as perspectivas para a indústria são boas, mesmo que em uma recuperação lenta.

“Dependemos da aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista pelo Congresso Nacional. Precisamos de estabilidade política para votar as reformas que são fundamentais para o País, conter os gastos públicos, acelerar a queda nas taxas de juros e irrigar o mercado com crédito. A modernização das leis trabalhistas atualiza e flexibiliza a CLT, aumentando a segurança jurídica de patrões e empregados e diminuindo as demandas trabalhistas. Também contribuirão para a retomada das contratações, sem perdas de direitos adquiridos dos trabalhadores”, completa o diretor.

OAB pensa o contrário

Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Material do Trabalho da OAB SP

Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Material do Trabalho da OAB SP | Foto: Divulgação

Já de acordo com o advogado e presidente da Comissão de Direito Material do Trabalho da OAB SP, Eli Alves da Silva, a reforma trabalhista que está sendo proposta no Brasil é uma reforma muito profunda comparada com aquilo que existe hoje, primeiro porque ela muda substancialmente as relações entre o capital e o trabalho. “As consequências disso vão depender dos ajustes que poderão vir a ocorrer de acordo com o posicionamento da jurisprudência dos nossos tribunais. Além disso, existe uma dúvida em relação à eficácia dessas alterações na legislação trabalhista, principalmente porque num primeiro momento isso poderá trazer uma certa voracidade por parte do empresariado, em querer levar vantagem perante os empregos na aplicação dessa nova legislação. Isso poderá ter um reflexo negativo na própria economia, se em decorrência disso houver uma redução no ganho da classe trabalhadora, o que obviamente poderá significar menos dinheiro nas mãos desses mesmos trabalhadores. Além disso, o reflexo dessa reforma trabalhista no aumento do emprego no Brasil deixa dúvidas, principalmente se considerarmos que no ano de 2010 tivemos um momento de quase pleno emprego com essa legislação que está vigente. Portanto, com base nesse passado recente, é possível afirmar que o aumento do emprego no Brasil não decorre da atual legislação trabalhista, mas sim do desenvolvimento econômico, com a geração de novos empreendimentos e investimentos, principalmente na infraestrutura, dentre outros, o escoamento da produção. É sabido que o grande problema que determina o desenvolvendo econômico do Brasil, principalmente no que diz respeito à competitividade de custo, está na carga tributária direta e indireta, ou seja, na produção e no consumo”, ressalta o presidente da Comissão de Direito Material do Trabalho.

Carlos Alberto Vieira de Gouveia, presidente da comissão de Direito Previdenciário na Inauguração das novas instalações da ESA na OAB Ribeirão Preto - Local: rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 215 - Data: 03/11/2016 - foto Cristovão Bernardo/OAB SP

Carlos Alberto Vieira de Gouveia, presidente da comissão de Direito Previdenciário | Foto: Cristovão Bernardo/OAB SP

Em nota, a OAB SP publicou em março deste ano que “os advogados pedem transparência nas contas do sistema previdenciário, visto que há dúvidas sobre o déficit – argumento usado pelo governo para justificar a reforma nos moldes propostos. Para dirigentes de Ordem, a reforma sugerida desfigura o sistema da previdência social, cujos direitos foram conquistados ao longo de décadas e são previstos na Constituição Federal de 1988”. Concordando com o que foi exposto, o presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB SP, Carlos Alberto Vieira de Gouveia, disse que essa reforma não está sendo nada favorável, alterando profundamente o texto constitucional e os benefícios, sem ouvir o outro lado que é a população. “Temos temas polêmicos, como aposentadoria especial, sem pensar que aquele ambiente põe em risco a integridade física. Além disso, estão colocando tempo para a pessoa se aposentar, sem sair com 100% do benefício. Esse texto está mail escrito, é uma questão técnica, cientifica, da área médica, tem a questão do déficit, mas na verdade temos superávit. De qualquer forma que se faça um cálculo segundo a constituição, é superavitária. Deve se debater a reforma e assim construí-la. O que que está sendo feito é o fim dos direitos sociais no brasil, de favorável não tem nada”, destaca Gouveia.

Cargo News




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com