Após a tempestade a esperança

Reformas, acordos comerciais e estabilidade política são fundamentais para retomada de crescimento do Brasil, segundo CNI

Para o economista Marcelo Azevedo, da CNI

Para o economista Marcelo Azevedo, da CNI, uma saída seria se voltar para o mercado externo | Foto: Divulgação

Muito se diz a respeito sobre o cenário industrial para o próximo ano. A expectativa é grande quando se trata de uma melhora na economia. Além disso, com a complexidade das leis, é um desafio para o Brasil se estabilizar com exportações, no comércio exterior. Para entender um pouco mais a respeito desse cenário, entrevistamos o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, que fez um panorama da situação, e também comentou um pouco a respeito das soluções que podem ser aplicadas.

1. Qual o panorama da indústria hoje no Brasil?
Começando um processo de preparação para uma recuperação que ainda está por vir. O índice de confiança não está bem calcado, e ainda não há números que comprovem essa expectativa. O que se percebe é: há uma expectativa que, caso se concretize, voltarão as oportunidades de emprego e mais investimentos. Para sustentar essa confiança, e até aumentá-la, é necessário que se traduza uma melhora nos negócios e aumento da produção. Quando começa a aumentar a produção, se volta a contratar e investir. Mas isso só vai acontecer mais para frente.

2. Para CNI, quanto tempo levará para que a indústria brasileira volte a trabalhar em sua capacidade máxima?
Trabalhar com capacidade máxima não costuma acontecer. A indústria hoje está muito ociosa, e também não é adequado que se chegue ao máximo. É preciso trabalhar com um pouco de folga. De uma forma geral, vai ser uma recuperação de longo prazo. Até julho deste ano, em comparação mês a mês, a ociosidade era maior do que o ano anterior, e 2015 já havia sido um ano muito fraco e de excepcional baixa capacidade, muito pior do que os anos anteriores. Em agosto, os números se igualaram. Será necessário avaliar os próximos meses para saber se haverá uma recuperação de fato. Algumas áreas se mostram positivas e outras negativas, então não há uma tendência, e não se pode dizer quando vamos poder falar se recuperação. O que se pode dizer é que, em comparação ao ritmo de queda apontado no ano passado, neste ano está bem menor. Já não existem dados excepcionalmente negativos, mas sim uma oscilação entre informações positivas e negativas.

3. A indústria tem investido na qualificação de sua mão de obra para retomada do crescimento?
Antes de iniciar a crise a indústria estava fazendo isso, tanto que chegou até ser um problema a falta de trabalhadores qualificados. E essa também foi uma das razões para demorarem as demissões. Se investiu muito em treinamento, e se perde em demissão. Agora, é preciso um tempo para começar a se repensar na qualificação. A indústria estava investindo muito nos funcionários, mas agora com corte de pessoal isso tudo tem que ser equacionando para pensar na contratação e qualificação novamente da forma que era.

4. Sobre o Comércio Exterior, a complexidade das leis atrapalha a atuação das indústrias neste setor?
Atrapalham sem dúvidas, de uma série de maneiras. Às vezes se tem desincentivos burocráticos. Por meio da legislação se criam várias dificuldades. Uma saída seria se voltar para o mercado externo, caso a legislação envolvida fosse um pouco mais favorável para beneficiar a exportação. O sistema tributário é complexo, o imposto que se retira da produtividade tem uma série de dificuldades, além de falta de acordos e negociações internacionais que poderiam favorecer a presença de outros mercados.

5. O Brasil tem a fama de ser protecionista. Como acordos bilaterais mais amplos impactariam na indústria nacional?A participação do Brasil nas exportações mundiais é muito abaixo do que deveria ser. Acordos comerciais, tendo em vista as fragilidades e força da indústria brasileira, precisam ser feitos e retomados para ampliar essa participação, tomando esse momento como motor para o crescimento. Com a exposição da indústria brasileira para o mercado internacional surgem novas tecnologias, e diversos benefícios. Fechando a economia perdem-se oportunidades e grandes acordos comerciais que o Brasil poderia fazer parte, e assim o país não vai ter voz nesse meio. Dentro do Brasil, deve haver uma condição de negócio para essa abertura. Primeiro, pensar na indústria como pano de fundo e acertar o que precisa na indústria doméstica, além disso, melhorar os padrões dos produtos. Tem que haver essas condições para competir de igual para igual.

6. Quais deveriam ser os primeiros passos do governo, segundo a CNI, para incentivar o crescimento do país?
Reconhecer as dificuldades do ponto de vista fiscal para fazer algumas das mudanças necessárias, para a recuperação. É preciso seguir a linha de aumentar a competitividade, além de uma reforma tributária. Na área trabalhista, deve-se modernizar os trabalhos, tornando a indústria mais competitiva, ações para garantir estabilidade fiscal, por meio de uma política mais favorável, e uma infraestrutura para isso. Também se deve priorizar a exportação, pelos acordos comerciais. Essas são ações necessárias e fundamentais para uma retomada.

7. Em sua opinião, o governo atual vai realmente recuperar a economia do Brasil?
O importante foi a solução para o impasse político. Já havia falta de competitividade e a solução para o problema econômico foi a resolução desse impasse. Vemos as discussões e propostas e isso é bom. Se elas forem de fato implementadas, como as reformas trabalhistas e tributárias, que são pedidas há muito tempo, e inclusive propusemos diversas soluções e sugestões. Não dá para dizer que tudo o que foi proposto vai passar pelo Congresso, mas pelo menos estão discutindo.

8. O que podemos esperar dos próximos anos para indústria no Brasil?
Um processo lento de recuperação, reforma tributária realmente grande ou trabalhista. Salvo uma grande mudança nesses dois entraves, a recuperação a princípio seria lenta, mais demorada. Após um longo período de segurança de ambas as partes, aí sim recomeçariam as contratações e investimentos. Deve haver folga para empresas e consumidores, para assim a roda da economia girar um pouco mais rápido.

9. Independentemente da situação econômica, a indústria tem investido na qualificação de sua mão de obra para retomada do crescimento?
Antes de iniciar a crise a indústria estava fazendo isso, tanto que chegou até ser um problema a falta de trabalhadores qualificados. E essa também foi uma das razões para demorarem as demissões. Se investiu muito em treinamento, e se perde em demissão. Agora, é preciso um tempo para começar a se repensar na qualificação. A indústria estava investindo muito nos funcionários, mas agora com corte de pessoal isso tudo tem que ser equacionando para pensar na contratação e qualificação novamente da forma que era.

Fonte: Cargo News




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *